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Território
Nordestino | por Ana Cláudia
Laranjeira
"Nessa terra de solo
seco, onde o sol castiga o peito com a dor da devastação, nasceu
uma música tão fértil, tão hidratada pelas águas da inspiração,
que os pés que dançavam castigados pela fervura do chão rachado,
passaram a arrastar chinelos no ritmo dessa canção. As mãos, calejadas
de trabalho, agora seguram firmes cinturas que dançam seguindo o
refrão. E a sensação, ah essa sensação de que nada pode parar o
corpo, de que a música invade as entranhas, e mexe num canto nunca
mexido, num sentimento nunca bulido, numa dor nunca expressada,
numa saudade nunca matada... rapaz, essa sensação danada não vai
lhe deixar depois de ouvir a sanfona.
Nesse território, demarcado pelos donos dessa terra, me denominei
herdeiro de riquezas incalculáveis. Sou posseiro de uma verdade
que ninguém enterra, e de uma música que ninguém tem chave. Caminhei
veredas inenarráveis e descobri um poço sem fundo, onde se aloja
o sentimento do mundo, e onde guardei meu coração. A água desse
poço escorre da melodia que o zabumbeiro espreme do instrumento,
e se derrama pelas gargantas que se esgoelam no salão. Se eu fosse
dono do tempo, parava tudo nessa hora, quando os umbigos se beijam
e as mãos se entrelaçam, pra que adentrasse pela eternidade esse
cheiro dos perfumes misturados e o som do triângulo anunciando as
paixões que resolvem se mostrar.
Esse Nordeste de rios temporários é nascente de serenatas perenes
que brotam dos lábios do cantador e abrem caminho pelos peitos arrasados
dos que esperam por um romance agalopado, que prometeu chegar mas
não chegou. A raiva derruba um cabra macho da cela, mas eu não me
seguro nela pra sarar a minha dor. Eu pego uma viola, me arrumo
num pé de serra e digo tudo pro vento que for passando por ali.
Quem sabe um dia num chega nela e fala de um jeito manhoso aquilo
que não consegui.
E essa é minha vida, meu lugar, minha canção. O que expressei foi
pouco pra explicar minha tradição, Eu canto, toco e brinco quando
o São João tá pra chegar, e fico com saudade quando ele tá pra arredar.
Meu batuque fica no peito, esperando chegar o tempo de se revelar.
Mas esse é meu destino, meu Território Nordestino,
que nunca hei de deixar! "
A
Banda
O
Território Nordestino surgiu quando seus integrantes foram convidados
para tocar numa festa junina da Paróquia de Casa Forte. A apresentação
agradou a todos e, de lá pra cá, a banda cresceu e conquistou um
público cada vez mais fiel. Em 2003, ano de sua fundação, o Território
limitava-se a um quinteto composto por sanfona, triângulo, zabumba,
violão e baixo. A carreira ganhou fôlego com o aumento do número
de shows e com a mistura de influências, o que resultou num forró
pé-de-serra renovado. Hoje, a banda tem uma estrutura de produção
extremamente profissional.
A
marca do Território Nordestino tem sido a valorização das raízes
da música nordestina e da qualidade musical na maneira “Território”
de tocar.O dinamismo e o carisma da banda tem despertado o interesse
de um público bastante diverso e cada vez mais vibrante nos shows.
Com grande expectativa, o Território Nordestino lotou em abril de
2006, uma casa de festas para a gravação do 1º cd da banda, de Título
“Só na Maciota – forró ao vivo”.O 2 º Cd da banda foi gravado nos
meses de novembro e dezembro de 2006, em um dos melhores estúdios
do Nordeste (Estúdio Carranca). Em abril deste ano Benil, Paulinho
de Tarso e Renatinho Lima realizaram uma das maiores conquistas
almejadas por eles, quando lançaram o primeiro DVD do TERRITÓRIO
NORDESTINO (“Daquele Jeito”), destacando o melhor dos seus CDS.
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